Somente com a análise desses itens de forma conjunta é possível compreender os erros e saber qual decisão tomar para a correção dos desvios. O material contém os três elementos interpretativos cruciais para detectar e conhecer as alterações na estabilidade do sistema analítico que implicam em aumento da imprecisão no laboratório.
As três análises cruciais para detectar alterações na estabilidade do sistema analítico. O gestor da qualidade precisa saber aplicar e analisar esses itens dentro da rotina do CIQ.
O uso de uma ferramenta para a realização do CIQ consegue gerar automaticamente o gráfico de Levey-Jennings, aplicar as regras de Westgard para todos os analitos e realizar a comparação do CV com as tabelas de referência, reduzindo em mais de 85% o tempo gasto na rotina diária do controle.
Os valores obtidos na análise do material na bancada são registrados para serem lançados no gráfico, sucessivamente.
A regra foi identificada, se estatisticamente ou sistematicamente, podendo-se verificar se há erros aleatórios ou sistemáticos
Erros identificados: Amostra pode indicar muitas partes das regras, como 2/2 ou 10x. Erros aleatórios: Causados por diferentes fatores ou por características da amostra. Erros sistemáticos: Afastamento constante do valor verdadeiro
Os testes e calibrações foram realizados?
Na bancada em preparado, estão corretos os valores?
As calibrações de medidas de aparelhos no laboratório para o aparelho?
Calcular o CV (CV = DP / Xm * 100) para conhecer as incerteza das medições, detectando a imprecisão analítica do laboratório.
O CV será menor, quanto menor for a variação dos resultados do controle, ou seja, haverá menor imprecisão.
Como critério de comparação: adotar as tabelas de variação:
• Westgard Biological Variation Database references
• EFLM Biological Variation Databank
OBS: Os dados de nível 1, em rosa; nível 2, em azul. CV = Coeficiente de Variação; N1 = nível 1; N2 = nível 2
Sistema analítico: Sódio - Eletrodo ion seletivo
Características: Automação - Calibração Automática - CIQ em dois níveis
CV: N1=2,5% | N2=2,0%
Tendência até 1:3s – aumento dos dois níveis – Erro sistemático.
Contaminação do eletrodo, desidratação dos controles, problema com o calibrador.
Limpeza do eletrodo e nova calibração.
Sistema analítico: Glicose - Enzimático
Características: Automação - CIQ em dois níveis
CV: N1=4,37% | N2=3,24%
R:4s – Erro aleatório. No ensaio 9: N1 acima de +2s e N2 abaixo de -1s no mesmo dia → amplitude entre os dois níveis = 4,1s. A regra R:4s é aplicada DENTRO do mesmo ensaio (nunca entre ensaios consecutivos).
Troca dos frascos. Provável falha de processo humano ou grave irregularidade no equipamento.
Verificação do equipamento, revisão do procedimento de controle e reprocessamento dos frascos.
Sistema analítico: Creatinina - Enzimático
Características: Automação - Química Seca - CIQ dois níveis
CV: N1=6,74% | N2=3,39%
8x (sem violar 1:2s) – Erro sistemático. 8 ou mais pontos consecutivos do mesmo lado de Xm, sem ultrapassar ±2s.
Mudança de geração/lote do slide reagente (VITROS® MicroSlide). Degradação dos reagentes, variabilidade nas camadas do slide ou alteração na calibração do equipamento.
Verificar número de lote dos slides. Validar calibração do equipamento. Comparar resultados com método de referência. Ajustar a média de controle se confirmada mudança de metodologia. O CV diferenciado (N1=6,74% vs N2=3,39%) sugere instabilidade em um nível - investigar estabilidade do reagente específico.
Sistema analítico: Fosfatase Alcalina
Características: Automação, CIQ dois níveis
CV: N1=18,3% | N2=6,8%
2:2s - Erro sistemático. Dois resultados consecutivos excedem o MESMO limite ±2s (ambos acima de +2s OU ambos abaixo de -2s). Visível em pontos 3-4, 9-10 e 17-18.
Degradação dos MicroSlides VITROS (química seca). Instabilidade do reagente seco ou contaminação. Falha na automação do equipamento (bomba, sensor óptico, temperatura). Calibração desviada ou expirada para Fosfatase Alcalina.
CV N1=18,3% é CRÍTICO (inaceitável) – Indica perda severa de controle neste nível. Verificar: (1) Lote/validade do MicroSlide; (2) Condições de armazenamento (temperatura); (3) Calibração VITROS com padrão primário; (4) Comparar com segundo método de referência; (5) Inspecionar camadas secas do slide. Rejeitar resultados e investigar antes de liberar. O CV de N2=6,8% também está elevado – sugere problema sistêmico no equipamento, não apenas em um nível.
Sistema analítico: Uréia - Enzimático
Características: Automação - CIQ em dois níveis
CV: N1=12,9% | N2=5,4%
2:2s com desvio para MENOS (subestimação). Dois resultados consecutivos (pontos 19-20) caem abruptamente abaixo de -2s em ambos os níveis, indicando erro sistemático após nova calibração.
Ocorreu após calibração com novo lote de calibrador. Erro de programação: valor de BUN (Blood Urea Nitrogen) inserido incorretamente no equipamento. O novo lote do calibrador não foi informado corretamente ou sua rastreabilidade foi perdida.
Corrigir o valor do calibrador no equipamento. Verificar se o valor foi informado em BUN (nitrogênio ureico no sangue) quando deveria estar em Uréia, ou vice-versa. CV N1=12,9% (elevado) e N2=5,4% (moderado) indicam boa separação de precisão entre níveis, mas ambos precisam ser corrigidos. Revalidar com novo lote do calibrador depois da correção. Resultados de Uréia/BUN não devem ser liberados até este problema ser resolvido.